Neuza é uma das personagens-chave na trama desta sitcom, num elenco que conta com grandes talentos, destacando-se Grace Mendes e Fredy Costa, mentores e protagonistas.
A primeira temporada deixou água na boca e, por isso, as aventuras do salão mais badalado de Luanda regressam com mais comédia e diversão.
A comédia, só por si, representa um desafio diferente para alguns dos actores mais habituados a trabalhar noutros registos. É o caso de Ciomara, que neste “Maison Afrochic” pôde regressar a um registo que aprecia.
“Esta série veio aprimorar a minha veia cómica, que eu não sabia que tinha, mas que, pelo visto, tenho, e gosto muito dela. É um registo com o qual me identifico. Durante muito tempo, fiz drama e papéis muito pesados. De repente, tenho aqui uma ex-acompanhante de luxo, que é uma mulher resolvida, que fez o que fez porque quis e, quando achou que era altura de sair, saiu. Mas não é uma mulher que viva com esse peso, seguiu em frente com a sua vida. É uma personagem com um universo muito rico”, afirma a actriz.
Em Neuza consegue encontrar semelhanças com a sua personalidade e maneira de ver o mundo, principalmente no facto de ser uma pessoa bem resolvida.
“Sou uma pessoa bem resolvida, até porque vivi uma guerra. Quase todos os angolanos que nasceram antes de 2002 têm uma noção, directa ou indirecta, de guerra e de perda, e acredito que como isso não nos matou, fortaleceu-nos. Para eu ver drama em alguma coisa é preciso que alguém esteja a morrer, porque se não houver ninguém a morrer, está tudo bem. 'Há comba? Não! Então está tudo fixe', eu sou assim”, explica.
Essas aprendizagens refletem-se também na sua carreira, que já vai longa e rica. As oportunidades, no entanto, não são algo que devemos esperar de braços cruzados, acredita, mas algo pelo qual devemos lutar e trabalhar. “As pessoas perdem muito tempo à espera que alguém lhes crie condições. Ninguém cria nada para nós, ninguém nos leva lá para cima”, defende.
Com uma forte veia empreendedora e criativa, Ciomara fala sobre alguns dos desafios mais recentes. “Aprendi que não é por me lamentar que as coisas acontecem e, por isso, fiz por mim. Fui estudar realização, montei a minha produtora, já realizei uma curta-metragem, produzi e escrevi uma série minha, que passa aos domingos à noite na RTP África. Para mim, é algo fantástico”, afirma.
Em “Maison Afrochic” teve a oportunidade de trabalhar num ambiente muito familiar, no qual todos são angolanos, usam a mesma linguagem e brincam com as famosas “estigas”, que fazem parte da cultura. “Sente-se muito o entrosamento no set. O facto de sermos todos angolanos ajuda. Vamos buscar muitas expressões locais e, como estamos todos na mesma sinergia, conhecemos todos a linguagem, estamos todos na mesma experiência, acredito que é uma mais-valia para o projecto e para as nossas personagens”, garante.
A segunda temporada da série estreia amanhã, no canal Mundo Fox, da DSTV, às 21h45, hora de Angola, e às 22h45, hora de Moçambique.
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