O programa "No mentiras", transmitido pela rede de televisão PAT, mostrou na noite de quarta-feira, durante mais de meia hora, a agonia de um homem que morreu na sequência de uma paragem cardiorrespiratória, quando médicos tentavam reanimá-lo num hospital de Santa Cruz.

O canal alegou a necessidade de exibição por causa da negligência das autoridades aos profissionais da saúde.

"Condenamos este tipo de notícia retratada (...) que demonstra sensacionalismo, exibindo repetidas e mórbidas imagens de um tratamento cardiopulmonar realizado numa pessoa (...) que infelizmente culminou em morte", afirmou a defensora pública Nadia Cruz.

A Defensoria Pública é uma entidade pública autónoma que garante o respeito pelos direitos humanos. Este tipo de transmissão "entra evidentemente em conflito com a ordem jurídica nacional", e "pode gerar uma espécie de medo coletivo", acrescentou Cruz.

O programa é exibido diariamente quase à meia-noite em Santa Cruz, região que concentra 60% dos 20.685 casos do novo coronavírus no país, e quase metade das 679 mortes desde que a doença surgiu na Bolívia, em meados de março.

A transmissão de mais de meia hora do momento de agonia do paciente não identificado foi amplamente criticada nas redes sociais por muitos jornalistas no país, que tem cerca de 11 milhões de habitantes.

"Que falta de respeito pela família, pelos mortos. Perdemos muitas coisas com este vírus, e também a empatia", escreveu no Twitter a jornalista María Trigo, do jornal El Debe, de Santa Cruz.

A sua colega Fabiola Chambi, do jornal Los Tiempos de Cochabamba, respondeu que "não é apenas uma falta de respeito e humanidade, é uma baixeza e uma ação que deve ser multada".

Até à noite de quinta-feira nem autoridades do governo ou os sindicatos dos jornalistas comentaram a situação.

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