Pulseiras eletrónicas douradas, ou de couro, manuais para denunciar cúmplices e roupa íntima com bolsos cheios de dinheiro, as "lojas da corrupção" montadas pela Netflix em aeroportos do Brasil têm tudo para os criminosos do colarinho branco.

A plataforma digital está a promover a sua série "O Mecanismo", inspirada na Operação Lava Jato e no escândalo de corrupção que abala o Brasil.

Os locais de venda ficcionais de artigos de luxo para roubar estão nos aeroportos Juscelino Kubitschek, em Brasília, e Congonhas, em São Paulo.

Um manual da "Delação premiada para leigos", com "1.001 coisas para fazer antes de entrar em prisão domiciliar" está exposto numa vitrine, ao lado de sapatos com gravador.

"Expor a corrupção é uma forma de trazer a lei, porque a partir do momento em que você está a declarar isso numa loja de corrupção, está intimando a lei a fazer alguma coisa contra esse crime", disse à AFP o passageiro Paulo Gabriel, engenheiro de 43 anos, no aeroporto de Brasília. "Mas não sei se fazê-lo assim é correto", pondera.

A promoção das lojas da corrupção simulam o formato dos anúncios de lojas de luxo: manequins com cuecas cheias de dinheiro, ou exibindo delicadas pulseiras eletrónicas douradas, combinadas com delicados sapatos de salto. Ao fundo, uma voz sugestiva recomenda as gravatas para "filmar os seus inimigos políticos".

O vídeo, que pede para "manter o bom gosto acima de tudo, inclusive da lei", tem quase 400 mil reproduções.

Na noite desta quarta-feira, no encerramento da sua campanha presidencial pelo sul do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Curitiba que "essa tal da Netflix nós vamos processar, porque estão fazendo uma festa e nós não podemos aceitar isso e eu não vou aceitar".

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, num processo que está agora em fase de apelo.

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