Considerada por muitos como a "rainha da televisão", Oprah nasceu no Mississípi e estava muito longe de sonhar com o império que tem hoje aos seus pés: Oprah Winfrey tem uma revista, a The Oprah Magazine, um canal por cabo criado à sua imagem, o Oprah Winfrey Network, e milhões e milhões de dólares em propriedades nos Estados Unidos.

Mas até ao final da década de 1980, a apresentadora era praticamente desconhecida, mas os primeiros sucessos foram ainda conquistados nos tempos do liceu: no final do secundário, Oprah venceu um curso de locução que lhe garantiu uma bolsa de estudos na Universidade do Tennessee, onde estudou Comunicação em Televisão.

Depois de alguns trabalhos em meios de comunicação locais, Oprah mudou-se, em 1984, para Chicago, para apresentar o talk show "AM Chicago". O programa conquistou os espectadores e liderou audiências, superando o seu rival "The Phil Donahue Show".

Oprah

Dois anos depois, a CBS, cadeia a que pertencia a estação local Chicago WLS-TV, decide retransmitir o programa para dezenas de canais locais e aí nasceu o "The Oprah Winfrey Show". O talk show da apresentadora esteve no durante 25 anos, com uma audiência média de mais de sete milhões de espectadores.

"The Oprah Winfrey Show" fez sucesso nos Estados Unidos e em todo o mundo, sendo transmitido em vários países. Em Portugal, o talk show ia para o ar na SIC Mulher.

Ao longo de 25 anos, Oprah recebeu centenas de convidados e ofereceu dezenas de presentes ao público que assistia ao programa em estúdio.

O último episódio de "The Oprah Winfrey Show" foi para o ar a 9 de setembro e deu início a uma nova fase da carreira da apresentadora - o talk show marcou, como poucos, a televisão norte-americana (e não só), mas o maior desafio da sua apresentadora, chegou com o Oprah Winfrey Network, canal criado à sua imagem.

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"Se soubesse que ia ser assim tão difícil, talvez tivesse feito outra coisa", confidenciou, em 2014, Oprah Winfrey ao programa televisivo CBS This Morning - e ao mundo - a propósito da criação do seu canal por cabo. Palavras fortes para uma figura muitas vezes encarada como toda-poderosa quando o assunto é televisão ou mesmo outros formatos desbravados a partir desse meio - entre aplicativos para telemóvel, uma estação de rádio, revistas, uma loja em Chicago e a presença forte em redes sociais como o Facebook ou o Twitter, a marca Oprah não é há muito um exclusivo do pequeno ecrã.

"Lançámos o canal quando ainda não estávamos prontos", admitiu Oprah, também ao CBS This Morning. "Eu disse desde o início que o canal não pode ser baseado apenas em mim, tem de ser baseado na minha filosofia, nas minhas ideias", complementou. Este ponto de partida fez como que a Oprah-apresentadora tenha ficado eclipsada pela Oprah-diretora executiva e diretora criativa, uma troca que parte do seu público não acolheu de braços abertos.

"Não me lembro de ter passado por outra semana tão má", contou Oprah ao New York Times ao recordar as críticas a que foi sujeita: "Não esperava este tipo de reações tão rápidas - que as pessoas fizessem fila à espera que falhasses, que cometesses um erro".

Apesar de tudo, o "erro" foi digerido e conduziu a algumas mudanças, tanto em parte da equipa - com a escolha de um novo chefe de operações - como na programação. Assim, a Oprah-diretora foi dando mais espaço à Oprah-apresentadora, não só nas reposições do seu antigo talk show mas também com "Oprah's Next Chapter", a nova aposta de 2012. E esta tornou-se numa aposta ganha, em especial quando o programa contou com a família de Whitney Houston e, sobretudo, com a célebre entrevista a Lance Armstrong em que o ciclista confessou o uso de doping. Em casos como este, as audiências dispararam e a conversa com o desportista até seria dividida em duas partes - os preços da venda de publicidade foram entre 40% a 50% superiores à média praticada, revelou a Reuters.

Oprah

As aparições mais regulares de Oprah - e com conteúdo inédito - não chegaram para mudar por completo a grelha, mas terão ajudado no aumento de 21% de espectadores diários em 2012 e de 31% em 2013. Outra estratégia que se revelaria vencedora foi a colaboração com Tyler Perry, realizador, argumentista e produtor de dramas como "The Have and Have Nots" ou da sitcom "Love Thy Neighbor", centrados na comunidade afro-americana, que deram novo fôlego a uma programação demasiado dependente de reposições de "Dr. Phil" e de especiais de crime e mistério do Discovery.

Opções como estas levaram a que OWN tenha tido lucro, pela primeira vez, no primeiro semestre de 2013, em que os índices de audiência e o crescimento publicitário contribuíram para cobrir os custos iniciais da parceria entre a empresa de Oprah e a Discovery Communications.

No verão de 2018, a apresentadora e empresária norte-americana Oprah Winfrey revelou que iria produzir programas para a Apple em virtude de um acordo assinado com o gigante tecnológico, que está a ampliar cada vez mais a sua oferta de conteúdos.

A Apple não especificou o tipo de programas que a ex-apresentadora de "Oprah", o talk show que a transformou numa das personalidades mais populares dos Estados Unidos, planeia criar, nem divulgou as datas de lançamento. Segundo o site Hollywood Reporter, o acordo inclui programas de televisão mas também filmes, aplicações e livros.

Nos últimos meses, muitas vozes têm incentivado Oprah a candidatar-se à Casa Branca. Os apoios surgiram na cerimónia dos Globos de Ouro, em janeiro de 2018, depois do seu discurso inspirador.

Mas essa não é a vontade da apresentadora. "Não é algo que me suscite interesse", confessou em entrevista à InStyle, acrescentando que acha que não tem "o ADN ideal". "Sempre me senti segura e confiante comigo mesma e sempre soube do que era capaz ou não de fazer", frisou Oprah Winfrey.

Atualmente, Oprah colabora com o programa "60 minutos", é diretora do canal OWN e lidera a Oprah’s Angel Network, uma instituição de beneficência que ajuda crianças necessitadas nos Estados Unidos e em África.