Nos últimos anos, Israel criou um nicho próprio no cenário internacional como referência em séries de televisão. E 2020 não parece ser diferente, com "Tehran", cuja transmissão está prevista para setembro na plataforma Apple TV, disponível em cem países e regiões.

Nesta ficção de oito episódios, transmitida desde junho na rede pública israelita Kan, Tamar Rabinayan, uma jovem hacker nascida no Irão, mas criada em Israel, é enviada pela Mossad a Teerão sob uma identidade falsa para hackear um radar.

"A operação visa impedir que o radar detete os aviões israelitas enviados para bombardear um reator nuclear iraniano", explica Moshe Zonder, cocriador da série e argumentista da primeira temporada da conterrânea "Fauda" (disponível em Portugal através da Netflix).

Embora seja uma ficção, a tensão entre Israel e o Irão na realidade é forte e cristaliza-se em torno do programa nuclear de Teerão. Israel acusa o Irão de querer desenvolver uma arma atómica, algo que o país nega.

"Gostaria de pensar que é uma série israelo-iraniana, embora esse não seja oficialmente o caso", conta Zonder à AFP.

"Uma série feminista"

Aliado de Israel sob o reinado de xá, o Irão tornou-se inimigo declarado deste país após a revolução islâmica de 1979.

Em 2005, o ex-presidente Mahmud Ahmadinejad pediu para "apagar" Israel do mapa e em 2018 o guia supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Israel era "um tumor cancerígeno maligno que deve ser extirpado e erradicado".

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alertou o Irão de uma resposta "ensurdecedora" em caso de ataque. Israel, por sua vez, realizou centenas de bombardeamentos contra as forças iranianas na Síria, aliadas do regime do presidente Bashar al-Assad e acusadas de querer instalar-se na sua fronteira.

Para Moshe Zonder, as tensões entre os dois inimigos são alimentadas pelos líderes de ambos os países, que veem nisso uma oportunidade de desviar a atenção dos "verdadeiros problemas".

"Os dois povos poderiam ser amigos, sem os líderes que assustam as pessoas e alimentam o ódio para permanecer no poder", considera.

Colocar uma mulher no centro de uma nova série de ação e vê-la evoluir num mundo ainda governado maioritariamente por homens é, diz ele, uma decisão política. "Definitivamente, é uma série feminista".

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