“Criamos um conceito de um show internacional, já que a Michele é agora uma popstar mundial. Por isso, queríamos fazer shows grandiosos. Foram meses de preparação entre a criação, ensaios até os quatro dias de gravação. A interacção da iluminação do palco e da plateia também foi importante para a unidade e credibilidade dos shows. O palco foi feito com 17 metros de largura, para ser inserido dentro de um projecto criado em 3D, com uma proporção muito maior”, conta o director Allan Fiterman.

No palco, Michele Brau quebra tudo com 12 bailarinos profissionais e uma banda de mulheres. Dos 12 shows, dez foram gravados em estúdio e dois em locações externas: um no Rio e outro em Luanda, durante as gravações do elenco em Angola, com direito até a um trio eléctrico.

“Eu acho que a Michele seguiu um caminho natural de quem vai crescendo profissionalmente. Mas ela não muda. Eu é que agora tenho uma exigência mais técnica, de cantar mais, cantar e dançar junto, e não tenho essa facilidade. Estou dando truque em tudo, como sempre: na dança, no canto. É muito divertido brincar de popstar, a plateia lotada, empolgada”, brinca Taís Araújo, que fez aulas de canto e dança para se preparar para as gravações e ultrapassar as dificuldades que pudessem surgir.

“Eu comecei a treinar bem antes das gravações para facilitar a vida da produção. Eu não canto nem danço, mas se estiver mais preparada, tenho alguma coisa a mais para dar. No estúdio, teve um dia em que eu chorava, convencida que não ia conseguir alcançar uma nota, mas contei com a ajuda do Ricardo Leão (produtor musical).

Ensaiamos muito todas as coreografias, mas depois que tiraram o espelho da frente, vi que ainda não sabia dançar. Aí tive que aprender isso. Ainda tinha o microfone. Cantar e dançar ‘pra caramba ao mesmo tempo, o tempo inteiro, ninguém consegue. Então, se você pega o microfone de mão, se livra um pouco da coreografia. Mas, para quem canta de verdade, é outra história...”, conta a actriz.

Um pouco de inspiração em nomes e sons como Shakira, Beyoncé, Bruno Mars, Dream Team do Passinho e Anitta. Presença de palco. Suingue. Batidão. Música chiclete. “O primeiro desafio foi pensar o que uma cantora brasileira de uma carreira internacional canta. Aí fomos buscar um reggaeton. Depois, a Taís me pediu mais swing e começamos a trabalhar numa música com mais pressão, que lhe ajudasse no palco, a cantar e dançar, com batidas bem marcadas, espassadas para ela poder pular e seguir a coreografia. Fomos, então, por uma pegada mais pulsante, numa bossa electrónica, e as coisas foram naturalmente tomando forma”, conta o produtor musical Ricardo Leão – que já produziu Anitta -. que encomendou a Umberto Tavares uma música para Michele.

Com as batidas em mãos, vieram ainda outras letras. Boa parte delas assinadas pelo Mateus Torreão, um dos autores da série. A ideia era fugir do estereótipo de valorização do corpo feminino, competição entre mulheres, ou algo do género. “A gente não queria um discurso vazio.

O discurso da Michele é de que uma mulher sobe e puxa a outra, dá a mão a outra, que casa bem com a trama”, conta Leão, que contou com a participação activa da atriz nessa conceituação. “Ela teve toda essa preocupação na parte musical, na coreografia, na diversidade dos bailarinos, na banda, que é toda de mulheres negras”, enumera o produtor musical.

A nova temporada de ‘Mister Brau’ vai ao ar todas as terças-feiras e tem autoria de Jorge Furtado, direcção geral de Patricia Pedrosa, Allan Fiterman e Flavia Lacerda e direcção de Ricardo Spencer e Tila Teixeira.