Um palhaço, um açoriano, uma nortenha, um conflituoso, um garanhão, uma intelectual, um cantor... todas as personagens foram determinantes para fazer deste reality show a brincar um verdadeiro sucesso da televisão nacional.

A série, da autoria de Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares foi eleita pela Associação Portuguesa de Espectadores de Televisão como o melhor programa de 2011.

Com a edição em DVD, agora é possível recordar em casa não só as melhores cenas do programa, como ver, pela primeira vez, os momentos embaraçosos e os ataques de riso dos atores.

No Le Chat, em Lisboa, Bruno Nogueira, Luciana Abreu, Sónia Balacó, Gabriela «a Gorda», Gonçalo Waddington, Débora Monteiro, Batatinha, Miguel Damião e os argumentistas da série criada para gozar com os reality shows encontraram-se para o lançamento do DVD do programa, já disponível nas lojas através da editora «Cego Surdo e Mudo», de Fernando Alvim, que foi também o mestre-de-cerimónias desta festa de apresentação.

Miguel Damião, o açoriano, disse ao SAPO que quando Bruno Nogueira lhe telefonou ficou «radiante» por ter a oportunidade de trabalhar lado-a-lado com o humorista. Segundo Miguel, esta foi uma ótima oportunidade para mostrar «um outro lado», já que, normalmente, lhe estão reservados os papéis de mau da fita.

António, mais conhecido por Batatinha, fez furor com a sua espampanante fatiota vermelha e amarela. O palhaço assumiu que não é fácil fazer os portugueses rir, mas acrescentou que é para isso que servem os «Brunos Nogueiras» e os «Joãos Quadros» deste mundo. O importante é fazer «graças, gracinhas e graçolas» e apostar num «novo humor em Portugal».

Entre fotografias e piadas, Gonçalo Waddington resolveu trazer para a discussão um tema sensível: a privatização da RTP. Para o ator, que aceitou o convite de Bruno antes mesmo de saber bem do que se tratava, não há dúvidas que «Último a Sair» é serviço público, já que os privados nunca poriam no ar algo a gozar com os seus próprios produtos.
Gonçalo acrescentou ainda que só a ideia de fazer uma série a gozar com os reality shows já merece um prémio e acredita que a maior dificuldade foi o escolher, entre tanto material bom, o que ia para o ar.

Sónia Balacó fez questão de elogiar o trabalho de construção das personagens feito pelos argumentistas. «Eles pegaram em elementos de como a nossa personalidade é vista pelo público e passaram-nas para as personagens», contou a atriz. No entanto, havia um grande espaço de liberdade para orientar a personagem e, como Luciana Abreu refere, «esticar a corda».

Bruno Nogueira, responsável por este projeto, elogiou a capacidade dos atores ironizarem consigo próprios, salientando que é necessário ter «um grande poder de encaixe» para fazer isso.

O destaque vai para Roberto Leal, que, segundo Bruno, apesar de não ter de «provar nada a ninguém», pegou na forma como as pessoas o vêm e usou isso para se tornar «ainda maior».

O ator e humorista confessou que o sucesso do programa nas redes sociais o surpreendeu e salientou que estas foram «uma alavanca muito importante» neste trabalho.

Em tom de brincadeira, quando informámos Bruno que «O Último a Sair» também foi o programa mais votado pelos utilizadores do SAPO, respondeu: «Fico muito contente, mas são pessoas que estão alcoolizadas, é preciso dar esse desconto».

@Inês Alves

Fotos: Joaquim Gromicho

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